O Favoritismo ou o Interesse?
Atualizado: 22 de set.

Certo dia, um membro de um templo religioso procurou o sacerdote bastante incomodado.
— Sacerdote, preciso lhe dizer uma coisa. Tenho a impressão de que o senhor tem seus preferidos. Sempre chama o irmão Elias para as tarefas importantes, para os rituais e para ajudar nas cerimônias. Parece que alguns têm mais valor que outros.
O sacerdote ouviu atentamente e respondeu com serenidade:
— Entendo sua percepção. Mas antes de conversarmos sobre isso, poderia fazer um favor? Vá até a loja de artigos religiosos da esquina e veja se chegaram velas brancas para o templo.
O membro foi e, poucos minutos depois, retornou.
— Sacerdote, sim. Chegaram velas.
— Muito bem. Obrigado.
Em seguida, o sacerdote chamou Elias.
— Elias, por gentileza, vá até a mesma loja e veja se chegaram velas brancas para o templo.
Alguns minutos depois, Elias voltou.
— Sacerdote, chegaram velas brancas, e há quantidade suficiente para abastecer o templo por vários meses. Também chegaram incensos, carvões, azeite para as lamparinas e ervas para defumações. Conversei com o proprietário e, como compramos sempre lá, ele concederá um desconto na compra. Aproveitei e deixei tudo separado, caso o senhor decida adquirir hoje, pois amanhã haverá reposição de preços.
O sacerdote agradeceu e dispensou Elias.
Depois, voltou-se ao primeiro membro e perguntou:
— Meu irmão, o que era mesmo que você queria conversar comigo?
O membro abaixou a cabeça, sorriu discretamente e respondeu:
— Nada, sacerdote. Acho que já encontrei a resposta.
Naquele dia, ele compreendeu que o destaque de Elias não era fruto de favoritismo, mas de interesse. Enquanto um fazia apenas o que lhe era pedido, o outro buscava compreender a necessidade do templo, antecipar soluções, aprender mais e servir melhor.
Moral da história:
No caminho espiritual, não é o favoritismo que abre portas, mas a dedicação. O sacerdote confia mais responsabilidades àqueles que demonstram iniciativa, comprometimento, desejo de aprender e disposição para servir. O reconhecimento, dentro de um templo sério, não nasce da preferência pessoal, mas da constância, da responsabilidade e do amor ao ofício sagrado.
Magno Constantino PhD - Adaptação da estória do Abacaxi.






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